Viajar é uma das minhas paixões. E como não consigo parar quieta recentemente fiz uma das minhas viagens favoritas, uma roadtrip pela Toscana. De mochila às costas lá partimos nós numa roadtrip por uma das regiões mais conhecidas da Itália. Foi uma semana emocionamente, em que os comboios da Trenitália foram dos nossos melhores aliados, porque nos levaram por mais de 9 horas de viagem pelas planícies toscanas ao longo de mais de 700 km percorridos. Foi um itinerário bastante desafiante: 6 cidades em 8 dias, mas conseguimos!

A Toscana é conhecida pela suas planícies e paisagens verdes e douradas, pela gastronomia e pelos vinhos. O meu único objetivo era desfrutar da cultura e história que faz deste país um dos mais incríveis em todo o mundo. Esta deve ter sido a viagem mais especial que fiz, não apenas por tudo o que já referi, mas também pela companhia 🙂 e pela dedicação que tive a planear esta viagem.

Uma vez que visitei 6 cidades e como não queria que este artigo ficasse demasiado extenso, decidi dividir o conteúdo por vários artigos, garantindo assim que consigo partilhar convosco a maior parte da informação que tenho. Boa? Hoje partilharei algumas dicas para planearem uma viagem idêntica (ou não, porque há aqui dicas que se aplicam a mais locais), deixo-vos algumas dicas que espero que vos possam ajudar a fazerem uma viagem igualmente inesquecível.

1 – Se há coisa que começo a perceber é que planear uma viagem deste estilo, não significa antever cada detalhe. Há que reservar espaço para o improviso e para o que se sentir no momento. Porque em nossa casa, a tantos quilómetros de distância, idealizar todos os momentos de uma viagem que terá vida própria é quase impossível e poderá significar um obstáculo a desfrutarmos em plenitude quando se está no local. Por isso, aconselho que planeiem sim, mas deixem pequenos espaços a serem preechidos com o que sentirem e decidirem no local.
Eu já conhecia muita coisa desta região, pesquisei e li sobre ela muitas vezes e para esta viagem dediquei mais tempo a planear as deslocações entre as cidades e aldeias a visitar, do que a planear afincadamente o que iria visitar. Pedi muitos conselhos a quem já lá tinha ido, e aos habitantes nos locais, porque eles, melhor que ninguém, conhecem os segredos das suas cidades.
2 – Guardem tempo para desfrutarem de cada cidade. Descobri uma região rica, com comida deliciosa com muitos locais turísticos, é verdade, mas com tanta história que se torna difícil absorvê-la toda em tão pouco tempo. Embora tenha sido uma semana de viagem, sinto que precisava de um mês, pelo menos, para poder assimilar tanto encanto. Ver mais que uma cidade por dia, é perfeitamente possível porque há cidades que são muito pequenas, mas ainda assim precisamos de tempo para assimilar toda a sua história e cultura.
3 – Mais que planear os monumentos a visitar, é muito importante que se planeiem as refeições. Eu percebo que pareça descabido, mas acreditem que ao fim de uma semana a escolher sempre a mesma coisa para comer não há estomâgo que suporte mais massa com gorgonzola (e atenção que eu sou fã de massa). A verdade é que os restaurantes mais comuns têm todos o mesmo tipo de pratos, muito menos variedade do que estamos acostumados em Portugal, e acabam por ser muito repetitivos. Tentei provar o máximo de pratos, mas às vezes os restaurantes mais acessíveis são os que menos variedade oferecem. Há muita coisa boa para provar, desde o vinho aos queijos deliciosos e passando claro pelas massas e pizas. Se puder deixar uma recomendação proponho o Il Pomodorino em Siena, onde comi uma piza deliciosa e ao qual voltaria muitas vezes certamente.
4 – Comprem os bilhetes de atrações e museus online. Não sou muito apologista num país estrangeiro de investir assim dinheiro sem saber bem ao que vou, mas resulta. Nem precisamos imprimir nada, basta termos o bilhete no telemovel e entramos com muita facilidade em todas as atrações.
5 – Se tiverem de dar privilégio a alguma atração, mesmo eu sendo uma apaixonada pela história, acho que subir as torres em cada cidade vale mesmo a pena. Claro que não precisam subir mais que uma em cada cidade, mas optem pelo menos por uma. Em Florença subi à Torre Giotto e ao Duomo, em Siena à Torre del Mangia e em San Gimignano a Torre Grossa. Admito que para quem tem vertigens como eu subir esta última foi um terror, mas depois de chegar lá a cima e ver a vista incrível existe algum consolo admito. Aconselho-vos a subir as torres o mais próximo possível dos pores do sol para conseguirem as fotos mais incríveis, e, ainda, que se preparem muito bem psicologicamente pois cada torre implica uma subida (e descida) de mais de 400 degraus (ginásio gratuito!).
6 – Numa viagem com tantos dias, eu aconselharia a não fecharem logo os dois últimos dia viagem. Deixem algum espaço ao improviso. Só no local saberão se realmente vale a pena visitar. Por exemplo, se não tivesse fechado logo os hotéis, provavelmente teria ido visitar Lucca e não Pisa, que a meu ver destoa de toda a Toscana e não tem mais nada de interessante para além da Torre de Pisa e da Catedral que se vêem em poucos minutos. Há coisas que não se sentem nos blogues, nem nos artigos que lemos, e que precisamos sentir por nós mesmos.
7 – Peçam opiniões aos locais. Para tudo. Claro que há os antipáticos, mas existem muitos simpáticos que vos aconselharão bem na abordagem a fazerem à vossa viagem. Ouvir quem vive no local é sempre uma mais valia.
8 – Recuerdos é o que não falta na Toscana, como é normal em todas as cidades turísticas, mas recomendo-vos a escolherem coisas que fazem de facto a diferença. No meu caso, claro que trouxe comida, belos temperos e queijos, mas desafio-vos a escolherem bem o que querem trazer para não se precipitarem e trazerem aquela quinquilharia que em 3 anos vai para o lixo numa limpeza de verão.


