O estranho caso da felicidade portuguesa

Os últimos anos foram irão ficar para sempre na memória dos portugueses. Não apenas pelas dificuldades financeiras que passámos, mas também pelo profundo desvalorizar de Portugal e da sua cultura por nós e pelo mundo.

Vimos os nossos salários congelados, os impostos a comerem caviar connosco à mesa, enquanto que nós comíamos papas de leite (de marca branca que era mais barato). Muitos perderam a casa e tudo o que tinham. Desacreditamo-nos nos políticos (não que alguma vez fôssemos muito crentes), nos bancos e no futuro. Desapaixonámo-nos de nós e da nossa história. Esquecemo-nos de quem éramos.

Éramos insatisfeitos e praguejávamos contra o nosso país.

Hoje muito mudou. Não sei se foi por termos ganho o Campeonato da Europa de futebol, ou se foi pelo turismo alucinante, ou simplesmente porque batemos no fundo e percebemos o que realmente era importante, mas a verdade é que começamos a aproveitar as coisas pequenas: passeios à beira rio, finais de tarde em esplanadas, tardes de sol em jardins públicos. Passámos a apreciar sermos um país pequeno, de ninguém nos querer fazer mal, nem nos chatear muito, porque já nos tinha bastado o FMI que não nos largava por nada!

Os portugueses não são como os nórdicos, não são uns “felizes-elegantes”, e possivelmente não têm um exemplo que o resto do mundo possa seguir, mas serve para os portugueses, e isso basta.

Os portugueses ficam felizes com coisas que  os estrangeiros nem sempre compreendem, como comer tremoços, caracóis e petiscos com cerveja num sábado à tarde depois de um dia de praia. Gostamos de pão com chouriço, manteiga e queijo de toda a espécie. Gostamos mais de futebol que de trabalhar, gostamos de festas e música. Dançamos sem saber dançar e não temos vergonha disso.

Os portugueses gostam de passear no shopping, mesmo não tendo dinheiro para gastar. E então?

Somos os “príncipes” do churrasco (os reis são os “manos” brasileiros, mas estamos no bom caminho).

Ninguém faz vinho como nós. Ah e gastronomia como a nossa? Poucos no mundo sabem comer como nós. Sentamo-nos à mesa ao meio dia e somos capazes de lá estar até às 10 da noite sempre a comer, a beber e a conversar. Se houvesse record Guiness da maior refeição de sempre, de certeza que era de um português.

E os doces? Ah pois é, a melhor doçaria do mundo é a nossa. Desde Pastéis de Belém, aos de Nata (adorável ouvir os turistas a pedirem-nos com os sotaques deles), passando pela bela tripa, ovos moles, torta de laranja, sericaia, às farófias e ao molotofe. Irresistível! E ficam por mencionar os 35685282 doces locais que nos fazem salivar em todas as pastelarias em que entramos em cada terrinha deste país.

De Portugal saem os melhores futebolistas do mundo e desportistas em geral, os melhores cientistas, os melhores investigadores, artistas, talentos e talentos que nascem neste país “à beira-mar plantado”.

Há tanto para falar: do Fado, dos museus e história incomparável. Adoramos estar à lareira, de comer castanhas, gelados e sardinhas (não obrigatoriamente nesta ordem), de caiar as paredes (mais os alentejanos), de beber sangria, de ir a bailaricos onde dançamos aquelas músicas que em condições normais não ouvimos determinantemente. Português resmunga, mas faz. Não é produtivo, mas é trabalhador.

Não somos um país perfeito, mas é incrível. Somos felizes mesmo resmungando com tudo. Somos assim.

É bom ser portuguesa.

❤️

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Autor: Ana Aurélio

Creative and in love with people.

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