iWoman: a mulher e o amor-próprio.

A mulher precisa gostar de si. Não “dava jeito”, não “era útil”; a mulher precisa mesmo de gostar de si, para poder amar o mundo. E a questão é: quantas mulheres conseguem verdadeiramente gostar de si, em toda a sua plenitude? Não especularei sobre estatísticas que tão pouco dizem, mas sim, naquilo que verdadeiramente conta: a mulher não gosta assim tanto de si, ou se gosta não age em conformidade com esse amor.

A minha profissão dá-me a oportunidade de estar muito tempo com mulheres muito diferentes, e nesta partilha consigo ver que uma grande maioria nós tem uma difícil relação com o seu espelho. Este relacionamento é intempestivo, pois estão demasiadas vezes em desacordo. Algumas chegam mesmo a cortar relações com o seu “inimigo reflector”, ignorando-o em casa, no trabalho, nos provadores das lojas, nos elevadores. A mulher finge que não se importa, mas a sua indiferença é meramente exterior, e esconde a dor profunda que sente, sempre que toma consciência da sua não-auto-aceitação.

Só que a teimosia feminina em nada diminui a petulância do espelho, que teima em lhe mostrar a todo o momento aquilo que ela não queria ver, aquilo que ela gostava de ignorar e esquecer.  Oxalá essa indiferença fosse de facto possível, seria mais fácil para a mulher. Mas não é, e o descontentamento traduz-se em desagrado profundo com o seu próprio reflexo. Esta desaprovação por si só é destruidora de tudo aquilo que caracteriza a mulher, e fá-la sofrer profundamente, em silêncio.

Até que um dia, já não existem espelhos em casa, não existem sequer sorrisos.

Quantas de nós passamos, passámos, ou conhecemos alguém que está a passar por isto? Quantas mulheres existem neste planeta que perderam o amor e confiança que tinham pela pessoa com quem asseguradamente terão de conviver até ao último suspiro?

Este é um dos flagelos mais silenciosos, complicados de resolver e que actualmente temos de enfrentar na nossa sociedade.

Tenho acompanhado demasiadas situações destas. Muita inalienação de si próprias, por não conseguirem suportar o facto de serem diferentes, esquecendo-se que é essa diversidade que as torna tão especiais. Mas tudo isto é normal quando somos bombardeados diariamente com imagens fictícias, com esteriótipos imaginários de aceitação, que só “reduzem” quem é diferente.

Como explicar a uma jovem adolescente que não precisa vestir-se como as capas de revistas de moda, para se sentir aceite? Como explicar a uma mulher que ganhou 20 kg durante a gravidez que não deixou de ser igualmente bonita e especial? Sabiam que actualmente as mulheres no período de pós-parto sentem a terrível pressão de regressarem à sua imagem anterior rapidamente, dados os exemplos milagrosos das celebridades que expulsam os quilos, “banhas” e peles da gravidez que poucos dias?

Quantas mulheres vivem depressivas na altura de comprar um biquini, porque olham para os cartazes publicitários e não conseguem ver-se igualmente bem no provador?

Quantas mulheres têm vergonha de comer um gelado em público, com receio do escárnio imaginário dos que as veriam comer este pecado gastronômico, devido aos quilos visíveis a mais? Quantas mulheres deixaram de frequentar praias porque não querem expor os seus corpos roliços?

Quantas mulheres se recusam a não-não-utilizar maquilhagem, por não conseguirem aceitar as marcas que têm no rosto, e terem vergonha da sua pele em estado natural?

A nossa sociedade esqueceu-se que ao procurar a perfeição-que-não-existe só está a magoar as mulheres.

Actualmente acredito que chega de procurar generalidades, há que valorizar a diferença. Todas somos diferentes e isso é maravilhoso. Não, nunca conseguiremos as medidas 86x60x86, mas quantas modelos as conseguem? Poucas, e as que conseguem não é por muito tempo.

Não conseguimos todas ter uma pele perfeita, porque tal coisa nem sequer existe. As nossas auto-percepções devem ver valor no que temos. Não vale a pena tentarmos seguir um caminho que não é o nosso. Há caminhos que são atractivos, mas não são nossos. O desgaste resultante dessa luta desenfreada só causará desilusão e dissabores.

Deixo-vos vários desafios para esta semana:

– Pensem e encontrem 3 coisas que gosta em vocês (interiormente e exteriormente).

– Encontrem 1 coisa que vos torna diferentes das demais.

– Escrevam 1 coisa, durante todos os dias da semana, pelo qual são agradecidas (não vale repetir, esforcem-se e verão que encontrarão vários motivos para serem agradecidas)

– Voltem a olhar-se ao espelho (comecem por 15 segundos).

– E (este é para vocês que gostam de maquilhagem) inscreva-se num dos nossos workshops de auto-maquilhagem, verão que vão gostar e acreditem que sairão de lá a sorrir com vocês mesmas.

Sim, sou maquilhadora, mas acima de tudo o que me apaixona são as pessoas!

Apaixonem-se por vocês também.

Ana Aurélio

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Autor: Ana Aurélio

Creative and in love with people.

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